À luz do ensino bíblico é fácil compreender que a santidade é algo prático. É uma experiência evidenciada em nossos relacionamentos. Com base no texto bíblico de Levítico 19 – conhecido como “Código de Santidade” – podemos focalizar os seguintes aspectos dos nossos relacionamentos, nos quais a santidade deve ser desenvolvida:

1. Santidade na vivência familiar

Diz o versículo 3: “Cada um respeitará a sua mãe e a seu pai…” É dentro de casa, principalmente, que devemos evidenciar santidade. É muito fácil expressar santidade enquanto estamos reunidos com o povo de Deus no templo, envolvidos pelas práticas litúrgicas, na companhia de pessoas que estão buscando a santidade. Porém, o grande desafio é ser santo em casa: no relacionamento com o cônjuge, com os filhos; no relacionamento com os pais; no relacionamento entre os irmãos e, inclusive, quando estamos sozinhos.

A santidade deve ser vivida dentro de casa: nos sentimentos, nos pensamentos, nas palavras, nas atitudes. A santidade no lar é uma condição prévia para estágios mais avançados da santidade. Muitos lares cristãos, lamentavelmente, não têm sido um lugar propício para o crescimento espiritual. Porém, é preciso entender que Deus acompanha nosso desempenho espiritual do dia a dia, em casa; e ele não se impressiona com a nossa performance quando estamos reunidos na igreja.

Para haver santidade na família é preciso abrir a porta da casa para que Jesus entre; para que ele opere a conversão do coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais. Precisamos ter a coragem de confessar os nossos pecados uns aos outros, revitalizando os relacionamentos familiares e cultivando a santidade, antes de tudo, na vivência familiar.

2. Santidade na vida social

O versículo 18 declara: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Vê-se que o texto amplia o círculo dos relacionamentos em que a santidade deve ser exercitada e evidenciada: ela deve estar presente em nosso relacionamento com a sociedade em geral.

A santidade na vida social é construída sobre as bases do amor ao próximo. Algumas pessoas querem fazer separação entre a vida espiritual e a vida secular; por isso, adotam a conduta aceita pela sociedade, mas condenada pela Palavra de Deus. O texto focaliza algumas práticas toleradas pela sociedade atual, mas condenadas pelo Senhor em sua Palavra. São elas:

·       Os atos fraudulentos (vv.11, 12):

“Não furtareis, nem mentireis, nem usareis de falsidade cada um com o seu próximo; nem jurareis falso pelo meu nome, pois profanaríeis o nome do vosso Deus. Eu sou o Senhor”.

O furto, a mentira e o falso testemunho violam a lei do amor. Esses atos fraudulentos, incompatíveis com a vida de santidade, são inconcebíveis para aqueles que professam a fé em Cristo. Em Efésios 4.28, Paulo exorta: “Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado”;

·       A mentira (além dos vv. 11 e 12, também os vv. 35 e 36 condenam a mentira):

“Não cometereis injustiça no juízo, nem na vara, nem no peso, nem na medida. Balanças justas, pesos justos, efa justo e justo him tereis”.

Os fins não justificam os meios. É lamentável que a mentira seja usada com tanta naturalidade hoje em dia. O cristão não pode se conformar com isso, pois, conforme Provérbios 13.5, “o justo aborrece a palavra de mentira”. Em Colossenses 3.9 e 10, a Palavra de Deus exorta: “Não mintais uns aos outros, uma vez que vos despistes do velho homem com os seus feitos e vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou”.

·       A injustiça (v.15):

“Não farás injustiça no juízo, nem favorecendo o pobre, nem comprazendo ao grande; com justiça julgarás o teu próximo”.

R. N. Champlin afirma: “Na aplicação da justiça deve haver equidade. Deve haver uma só lei para ricos e pobres, igualmente. Dinheiro, posição social e poder político nada têm a ver com a administração da justiça. Essas considerações não deveriam fazer a menor diferença nos tribunais e nos relacionamentos pessoais”;

·     A maledicência (v.16):
“Não andarás como mexeriqueiro entre o teu povo; não atentarás contra a vida do teu próximo”.

O pecado da maledicência é amplamente praticado na sociedade atual. Ele está presente nos meios de comunicação, na política, nas empresas e, infelizmente, até entre o povo de Deus. A maledicência é expressão de carnalidade; e é um pecado a ser enfrentado e vencido pelos que desejam viver vida de santidade. Tiago adverte: “Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a língua, antes, enganando o próprio coração, a sua religião é vã” (Tg 1.26).

·     A vingança (v.18):
“Não te vingarás, nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo”.

A vingança é fruto do rancor. Quando esse sentimento se aloja no coração, o processo de santificação fica completamente prejudicado.  A vingança deve ser suplantada pelo amor que produz perdão. Porém, é preciso compreender que o amor ao próximo não é simplesmente resultado de um esforço humano, é fruto da regeneração, como afirma João: “Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor. Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele. Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. Amados, se Deus de tal maneira nos amou, devemos nós também amar uns aos outros” (I Jo 4.7,8).

A vida de santidade está essencialmente ligada à prática do mandamento do amor; e envolve não só o relacionamento com Deus, mas também nosso relacionamento com as pessoas. Sendo assim, demonstremos santidade em nossos relacionamentos!

Pr. Eneziel P. Andrade
eneziel@hotmail.com

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