A espiritualidade cristã é uma experiência que transcende o próprio homem, efetivando-se pelo encontro com Deus. A espiritualidade cristã não é um fim em si mesmo, mas um meio para o indivíduo sintonizar-se com o Criador.

Segundo o ensino de Jesus, não basta ao indivíduo praticar uma religião. É preciso conhecer o que se adora. O que faz o verdadeiro adorador não é apenas sua sinceridade, mas, também, o objeto de sua adoração: “vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” (Jo 4.23,24).

A espiritualidade cristã distingue-se das demais formas de espiritualidade pelo fato de pautar-se pelas Escrituras do Antigo e do Novo Testamento; e, também, por ser uma experiência mística produzida não pelas potencialidades do indivíduo, mas, mediante a ação das três Pessoas da Trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Ela é direcionada ao Deus Criador, na Pessoa de Cristo, mediante a ação do Espírito Santo.

A espiritualidade cristã não é um ato isolado na vida do indivíduo, mas é a própria essência da vida. Ela se manifesta na maneira de se crer e viver; e a sua marca distintiva é o amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo (Mt 22.36-40).

A prática da espiritualidade se dá, hoje, em um universo fragmentado, em que se podem ver as mais diversas formas de religiosidade. Podemos dirigir aos homens de hoje as mesmas palavras proferidas por Paulo, em Atenas, há dois mil anos: “Em tudo vos vejo acentuadamente religiosos” (At 17.22).

Dentro das grandes correntes religiosas tradicionais, no mundo, há inúmeros segmentos que, por sua vez, se subdividem infinitamente. O Cristianismo, por exemplo, está subdividido em: Catolicismo Romano, Igreja Ortodoxa Oriental e Protestantismo. O Protestantismo, por sua vez, se subdivide em diversos segmentos históricos, dos quais brotam sucessivamente novas facções.

Novas expressões religiosas surgem, a cada dia, sendo que muitas delas estão mescladas com elementos das mais diferentes matrizes religiosas. Tal cenário comprova a complexidade que envolve a prática da espiritualidade no mundo atual.

Como cristãos, somos desafiados a identificar, à luz da Bíblia Sagrada, as expressões religiosas que não estão em sintonia com os ensinamentos bíblicos. A espiritualidade que não confessa a Jesus como Salvador e Senhor, deve ser questionada e rejeitada. Sem intolerância, porém com firmeza, somos desafiados a agir como Paulo, apresentando ao mundo o caminho para o encontro com Deus, na Pessoa de Cristo (At 17.30,31).

Vivemos uma época em que a espiritualidade cristã precisa ser praticada com mais coerência pelos cristãos, os quais têm a responsabilidade de promovê-la entre aqueles que estão tateando na busca por Deus. A missão cristã consiste em ajudar as pessoas a encontrar Deus (Rm 10.1-15). Cada um de nós pode ser instrumento nas mãos de Deus para levar a cabo esse propósito.

Pr. Eneziel P. de Andrade
eneziel@hotmail.com

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