Em Mateus 22.34 a 40, encontramos o seguinte relato:

“Entretanto, os fariseus, sabendo que ele fizera calar os saduceus, reuniram-se em conselho. E um deles, intérprete da Lei, experimentando-o, lhe perguntou: Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”.

O Senhor Jesus fez uma preocupante advertência: “por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos” (Mt 24.12).

Escrevendo a Timóteo, Paulo o preveniu de que, nos últimos dias, os homens serão, entre outras coisas, “egoístas” (II Tm 3.1-5).

O dicionário define “egoísmo” como: “Falta de altruísmo; apego excessivo aos próprios interesses; comportamento da pessoa que não tem em consideração os interesses dos outros”.

De fato, o egoísta só pensa em si; não se preocupa com os outros, trata somente dos seus próprios interesses.

A ética cristã, emanada do Novo Testamento, é contundentemente contrária às atitudes egoístas. Diante disso, a presente abordagem tem como objetivo enfatizar a ética cristã centrada no amor e despertar o povo de Deus para um viver altruísta, o que, sem dúvida, representa um positivo testemunho cristão perante o mundo. O egoísmo é incompatível com a vida no reino de Deus.

Ao tratarmos desse tema, à luz da Palavra de Deus, os seguintes pontos devem ser colocados:

1.   Males decorrentes do egoísmo

O ser humano foi criado por Deus para viver numa saudável interdependência – “não é bom que o homem esteja só”. O salmista declarou: “Oh, como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!” A igreja do Novo Testamento se distinguia em virtude de um estilo de vida desprendido e altruísta (At 4.32-37).

O modelo econômico que rege o mundo interfere diretamente em nossas relações. O mercado transforma-se numa selva, e “salve-se quem puder”. O resultado disso é que retrocedemos à mentalidade de Caim: “acaso, sou eu tutor de meu irmão?” Os homens deixam de ser irmãos e parceiros e transformam-se em concorrentes. O conceito de sucesso e bem-estar consiste em deixar os outros para trás e chegar ao topo.

Convivemos com uma cultura do egoísmo, em que os que mais têm, mais chances têm de acumular mais; ao mesmo tempo, os menos favorecidos tendem a se tornar ainda mais pobres e miseráveis dentro desse sistema excludente.

A riqueza produzida no mundo e os recursos disponíveis são suficientes para garantir uma condição de vida digna a todos os habitantes do planeta, com acesso ao básico: alimentação, moradia, saúde e educação. Não faltam recursos: o problema é que sobra egoísmo.

O egoísmo é o grande responsável pelas cruéis e brutais desigualdades entre pessoas, povos e nações. Mas a Palavra de Deus garante um severo juízo contra aqueles que pensam só em si (Is 5.8-10; Lc 12.20,21; Tg 1.1-6).

2.   O egoísmo e o mandamento do amor

O egoísmo é incompatível com a ética do reino de Deus. A ética cristã está fundada no amor: amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. A parábola do Bom Samaritano (Lc 10.25-37) ilustra muito bem o que significa amar ao próximo como a si mesmo.

Onde prevalece o egoísmo, não há amor: nem ao próximo nem a Deus. É por isso que Jesus condenou os fariseus e sua falsa devoção (Mc 12.38-40).

O amor abre caminho para o encontro e a harmonia do ser humano com o Criador, com o próximo, consigo e com o meio-ambiente. O amor gera vida e liberdade. Quando o amor determina as nossas relações, aí se estabelecem a fraternidade, a partilha, a cooperação e a justiça.

O egoísmo arraigado em tantos corações e mentes tem sido um grande empecilho para a construção de um mundo mais humano, justo e solidário. Diante da cultura do individualismo e da competitividade que rege o mundo hoje, calcada no questionável argumento da meritocracia, o outro acaba sendo visto não como irmão e parceiro, mas apenas como concorrente. Diante disso, o povo de Deus é desafiado a deflagrar uma revolução: a revolução do amor (Mt 5.43-48).

3.   O desafio a um viver altruísta

“Altruísmo” é o oposto de “egoísmo”. Ser altruísta significa ter amor ao próximo, ser abnegado, estar comprometido com causas filantrópicas.

O altruísmo deve ser uma marca inconfundível de todo cristão. É deprimente alguém se declarar cristão, mas viver egoisticamente. O altruísmo cristão, ordenado por Jesus, transforma-se num veemente testemunho ao mundo (Mt 5.16). O evangelho que pregamos, muitas vezes, se mostra acentuadamente conceitual e teórico, e pouco altruísta. Aprendamos com Jesus! (Mt 9.35-37; 14.13-21).

A influência do modo de vida atual atinge também os cristãos. Cada um deve avaliar se está vivendo conforme a ética do reino de Deus, fundada no amor, ou se está simplesmente seguindo o curso deste mundo.

O desafio a um viver altruísta tem implicações não apenas em relação ao bem-estar do nosso semelhante. Na verdade, tem implicações também escatológicas. Diante disso, todos os que desejam viver uma vida cristã aprovada por Deus devem atentar para as palavras de Jesus em Mateus 25.31-46.

Que o Espírito nos faça compreender o exemplo de Cristo, que se doou em favor do mundo, dispondo-nos a assumir uma conduta de vida altruísta na necessária luta contra o egoísmo!

Pr. Eneziel Peixoto de Andrade
eneziel@hotmail.com

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