Aproxima-se a Páscoa!

Para muitas pessoas, Páscoa tem a ver com ovos de chocolate e coelho, panetones e cardápio especial. O comércio explora avidamente essa data e acaba ofuscando seu verdadeiro significado.

À luz da Bíblia, o que é a Páscoa cristã?

Com base no texto bíblico de I Coríntios 5.1 a 13, as seguintes afirmações podem ser feitas sobre o significado dessa data:

A Páscoa cristã aponta para o sacrifício de Cristo

O apóstolo Paulo escreve: “Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado” (I Co 5.7).

A Páscoa é a principal festa judaica. Sua origem remonta aos tempos do Antigo Testamento. Era uma festa familiar celebrada entre os israelitas para recordar as aflições sofridas durante a escravidão egípcia. A instituição da Páscoa se deu na noite em que os israelitas saíram apressadamente do Egito, sob o comando de Moisés, rumo à Terra Prometida. Todas as famílias israelitas foram orientadas por Moisés a que preparassem para aquela noite um cordeiro assado, o qual deveria ser comido em família (Êx 12.1-11).

O termo “Páscoa” vem do hebraico pessach, que significa “passagem”. É uma alusão à passagem do anjo que, naquela noite fatídica feriu os primogênitos egípcios, poupando, porém, as casas dos israelitas, que estavam marcadas com o sangue do cordeiro nas vergas e ombreiras das portas. O sangue do cordeiro era o sinal para que o anjo do Senhor passasse além das famílias israelitas, poupando-as (Êx 12.12-28; Hb 11.28).

O Novo Testamento faz uma releitura da Páscoa e aponta Jesus como sendo o Cordeiro pascal. João Batista refere-se a Ele, dizendo: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”! (Jo 1.29). O apóstolo Pedro afirma que fomos resgatados “pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” (I Pe 1.19).

A Páscoa cristã aponta, portanto, para o sacrifício de Cristo. Ele derramou seu precioso sangue na cruz, a fim de livrar da condenação do pecado a todos os que nele creem (Rm 3.21-26). Essa data nos chama a rememorar o sacrifício de Cristo, o Cordeiro pascal, cujo corpo foi entregue e cujo sangue foi vertido pelos nossos pecados. Assim, a Páscoa cristã é a celebração da ressurreição de Cristo e da redenção possível somente nele (I Co 15.20).

A Páscoa cristã convida à renovação da vida de santidade

Paulo desafiou os coríntios, dizendo: “Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento” (…) “Por isso, celebremos a festa não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade e da malícia, e sim com os asmos da sinceridade e da verdade” (I Co 5.7,8).

A festa da Páscoa tinha um prolongamento que era a Festa dos Pães Asmos, durando sete dias (Dt 16.1-8). Além do cordeiro da Páscoa, que era assado e comido em família, eles comiam também pão asmo (sem fermento) e ervas amargas. Tudo isso era utilizado para recordar as aflições sofridas durante o tempo da escravidão no Egito e a saída apressada.

Quando o fermento é colocado na massa é necessário um tempo de repouso para que toda a massa fique fermentada. Porém, naquela última noite, lá no Egito, não havia tempo para pôr o fermento e esperar que a massa levedasse.

A fermentação é um processo produzido a partir de micoorganismos, tais como bactérias e fungos, chamados nesses casos de fermentos. Na Bíblia, a palavra “fermento” é usada quase sempre para simbolizar impureza, pecado. Assim como o fermento penetra toda a massa do pão, a maldade de uma só pessoa corrompe toda a igreja que a consente: “Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda”? (I Co 5.6). Era exatamente isso que estava acontecendo na comunidade cristã de Corinto: eles estavam tolerando imoralidades entre os membros da igreja, tais como: incesto, impurezas diversas, avareza, idolatria, maledicência, alcoolismo, ladroagem, etc. Por isso, Paulo os chama a celebrar a festa – no caso, a vida cristã –, lançando fora o velho fermento do pecado e assumindo a condição de uma massa pura, sem fermento, isto é, uma vida livre de contaminações. Por ocasião da preparação da Páscoa, os judeus limpavam cerimonialmente suas casas, eliminando todo resto de fermento, inclusive, a menor migalha de pão fermentado.

A celebração da Páscoa cristã nos convida a isto: a uma limpeza completa da nossa vida, à eliminação de todo pecado e à renovação da vida de santidade.

A Páscoa cristã implica em testemunho perante o mundo

Paulo exortou os cristãos coríntios a evitarem a comunhão com os que se diziam cristãos, mas não o eram (I Co 5.9-11). O apóstolo ordena um rigoroso tratamento disciplinar contra os membros da igreja que insistem em manter uma conduta imoral. Porém, ele reconhece que na vida pública é inevitável o relacionamento com pessoas de todo tipo. Nesse caso, a conduta cristã deve ser pautada pelo testemunho da fidelidade ao Senhor.

Paulo e os demais autores bíblicos não defendem a ideia de que os crentes devam viver fora do mundo, enclausurados. Conforme o ensino de Jesus, somos chamados a brilhar em meio a este mundo tenebroso (Mt 5.14-16). Fica claro, portanto, que a Páscoa cristã é testemunho! Esse testemunho se revela no rigor para com aqueles que se dizem cristãos e vivem como se não o fossem e, também, na firmeza de caráter perante a sociedade não cristã.

A Páscoa cristã nada tem a ver com o consumo de ovos de chocolate e outras comidas caras! Páscoa é o testemunho de que Jesus morreu e ressuscitou! É o testemunho de que a vida cristã é vida de pureza e santidade! Compreendido isso, celebremos correta e dignamente, a Páscoa cristã!

Pr. Eneziel Peixoto de Andrade
eneziel@hotmail.com

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