Vivemos em uma sociedade que enfrenta uma grave crise de valores. Uma das características dessa era chamada “pós-modernidade” é a inversão de valores ou o desprezo pela existência de valores absolutos. Isso tem produzido uma sociedade em que a criatura assume o lugar do Criador; a mentira reina como se fosse verdade; ter se torna mais importante do que ser; a aparência sobrepuja o conteúdo; a forma supera a essência; a razão sucumbe à emoção; o certo passa a ser censurado enquanto o errado é aplaudido.

A inversão de valores tem reflexos em cada indivíduo: no seu relacionamento com Deus, consigo, com a família, com o meio em que vive. As consequências do abandono dos valores absolutos e da relativização generalizada se mostram a todo momento, por todos os lados e de forma cada vez mais intensa. Vivemos dias difíceis! Desesperadores! O temor de Deus vai desaparecendo. O amor vai-se esfriando. O respeito aos pais, às autoridades e ao próximo em geral saiu de moda. O valor da vida é reduzido a nada.

Diante dessa inversão de valores, a Palavra de Deus faz uma séria advertência: “Ai dos que chamam de mau aquilo que é bom e que chamam de bom aquilo que é mau; que fazem a luz virar escuridão e a escuridão virar luz; que fazem o amargo ficar doce e o que é doce ficar amargo! Ai dos que acham que são sábios, dos que pensam que sabem tudo”! (Is 5.20,21).

Com certeza, este tempo conturbado em que vivemos impõe uma reflexão urgente e uma tomada de posição. Nossos parâmetros não podem ser os desejos do coração nem os costumes adotados pela sociedade. O referencial seguro e insubstituível é a Palavra de Deus, nossa única regra de fé e prática.

Diante disso, são oportunas as palavras apostólicas: “Isto, portanto, digo e no Senhor testifico que não mais andeis como também andam os gentios, na vaidade dos seus próprios pensamentos, obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração, os quais, tendo-se tornado insensíveis, se entregaram à dissolução para, com avidez, cometerem toda sorte de impureza. Mas não foi assim que aprendestes a Cristo, se é que, de fato, o tendes ouvido e nele fostes instruídos, segundo é a verdade em Jesus, no sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade” (Ef 4.17-24).

Há apenas um caminho para a reversão ou pelo menos para frear esse caos que nos tem arrastado para a destruição: é o caminho da reconciliação com Deus, segundo o evangelho, pela rendição incondicional a Cristo. Disse Jesus: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida” (Jo 14.6).

Vê-se, portanto, que há apenas uma maneira de enfrentar este mundo corrompido: é pela prática do evangelho de Cristo e o compromisso com a evangelização. O evangelho da graça transforma e abre caminho para que os valores do reino de Deus se estabeleçam. Façamos nossa parte.

Pr. Eneziel P. de Andrade

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