Leia APOCALIPSE 22.6 a 17

O Apocalipse de João começa com as seguintes palavras: “Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer e que ele, enviando por intermédio do seu anjo, notificou ao seu servo João, o qual atestou a palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo, quanto a tudo o que viu” (Ap 1.1,2).

Ainda no início do livro, encontramos este conselho; “Bem-aventurados aqueles que leem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo” (Ap 1.3).

Entre as muitas advertências, orientações e recomendações presentes no livro, encontramos um forte chamado à busca da santificação. A posse da Nova Jerusalém está reservada àqueles que foram lavados no sangue do Cordeiro e que buscam dia a dia a santificação pessoal. A mensagem do Apocalipse é uma mensagem de estímulo ao povo de Deus para permanecer firme, resistindo às influências deste mundo e às investidas de Satanás. Esse estímulo está muito claro nestas frases do cap. 22 de Apocalipse: “o santo continue a santificar-se. E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras”.

A vida cristã vitoriosa passa pelo caminho da santificação. “Santificação”, segundo a definição do Catecismo Maior de Westminster, “é a obra da graça de Deus, pela qual os que Deus escolheu, antes da fundação do mundo, para serem santos, são nesta vida, pela poderosa operação do seu Espírito, aplicando a morte e a ressurreição de Cristo, renovados no homem interior, segundo a imagem de Deus, tendo os germes do arrependimento que conduz à vida e de todas as outras graças salvadoras implantadas em seus corações, e tendo essas graças de tal forma excitadas, aumentadas e fortalecidas, que eles morrem, cada vez mais para o pecado e ressuscitam para novidade de vida”.

À luz do texto de Apocalipse 22.6 a 17, vale a pena ressaltar alguns importantes aspectos que dizem respeito à dinâmica da santificação:

1)  A santificação é possível em virtude da obra expiatória de Cristo

“Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras [no sangue do Cordeiro], para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas” (v. 14).

O direito de acesso à árvore da vida, isto é, à salvação de Deus só é possível em virtude do precioso sangue de Cristo derramado na cruz do Calvário. Está em foco a obra sacrificial de Cristo.

No Antigo Testamento, sacrifícios eram oferecidos com o propósito de proporcionar aos pecadores a absolvição de seus pecados. Porém, os sacrifícios de animais eram transitórios e imperfeitos. Eram apenas uma representação do sacrifício de Cristo que, um dia, teria lugar (Hb 10.1-7, 11-14).

Pelo precioso sangue de Cristo fomos comprados, resgatados e libertados. Assim a dinâmica da santificação em nossas vidas torna-se possível eficaz; “ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro” (I Jo 2.2).

Alheio ao sacrifício de Cristo, o esforço humano em busca de justificação e santificação torna-se inteiramente nulo. Pelas obras da lei ninguém é justificado. Conforme escreve Paulo, somos “justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação…” (Rm 3.24,25). A dinâmica da santificação só é possível em virtude da obra expiatória de Cristo, como está escrito: “Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna” (Rm 6.22).

2)  A dinâmica da santificação é necessária em virtude da iminente volta de Cristo

Nos versículos 7 e 12, encontramos a seguinte frase proferida por Jesus: “Eis que venho sem demora”.

Em Mateus 24.43 e 44 há o registro da seguinte advertência feita por Jesus: “Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que hora viria o ladrão, vigiaria e não deixaria que fosse arrombada a sua casa.
Por isso, ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá”.

Tendo em vista a iminente volta de Cristo, a dinâmica da santificação se faz necessária e urgente. Conforme orienta Paulo, é preciso viver “remindo o tempo, porque os dias são maus”. Precisamos estar atentos para que não sejamos arrastados pelo mundo ou dominados pela frieza e estagnação espiritual. Infelizmente, há muitos crentes, hoje, que têm desprezado o compromisso com a vida de santidade. Isso representa um grande risco, pois a Bíblia nos adverte dizendo que, “sem a santificação, ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14). É trágico saber que muitos serão apanhados de surpresa, como prevê o próprio Senhor Jesus em Lucas 17.26 a 30.

Diante da aparente demora da vinda de Cristo, não podemos deixar arrefecer nossa expectativa escatológica. Em sua segunda Carta (II Pe 3.9,10,14), o apóstolo Pedro afirma: “Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento. Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor (…) Por essa razão, pois, amados, esperando estas coisas, empenhai-vos por serdes achados por ele em paz, sem mácula e irrepreensíveis”.

Não há dúvida, portanto, de que a dinâmica da santificação é necessária em virtude da iminente volta de Cristo.

3)  A dinâmica da santificação é importante em virtude do galardão a ser conferido por Cristo

Diz o versículo 12: “E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras”.

“Galardão” significa recompensa. Em um artigo sobre esse tema, o Prof. Herman Hanko afirma: “Em Sua obra de salvação, Deus muda e forma cada um do Seu povo, de acordo com a Sua vontade. Ele faz isso pela obra de salvação, pela qual cada um de nós realiza boas obras, obras que revelam a glória de Deus na salvação. No céu, todo santo será recompensado por causa das suas obras por Deus, de forma que a obra iniciada nesta vida será finalizada no céu, onde a glória de Deus brilha em cada santo para o louvor do nome de Deus”. Animando a Abraão em sua peregrinação, Deus disse a ele, conforme Gênesis 15.1: “Não temas, Abrão, eu sou o teu escudo, e teu galardão será sobremodo grande”.

Deus levará em consideração os feitos de seus filhos, a fim de premiá-los e recompensar a cada um conforme a sua dedicação e boas obras (Mt 10.41 e 42).

Animando os cristãos de Corinto, Paulo escreveu: “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão” (I Co 15.58). Posteriormente, na segunda Carta enviada aos coríntios (II Co 5.10), voltou a dizer: “Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo”.

“Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo; o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se. E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras” (vv.11 e 12). Esses versículos retratam muito bem as duas realidades sempre presentes na história da humanidade: de um lado, o injusto e imundo fazendo o que lhe é próprio e, de outro lado, o justo e santo praticando a justiça e santificando-se. A história bíblica mostra em detalhes as consequências que advêm sobre as pessoas que integram cada um desses grupos. Assim como foi nos dias de Noé, assim será na vinda de Cristo; o que aconteceu nos dias de Ló, em Sodoma, também irá acontecer quando Cristo se manifestar.

Finalizando, vale a pena atentar para o que dizem os versículos 6 e 7: “Estas palavras são fiéis e verdadeiras. O Senhor, o Deus dos espíritos dos profetas, enviou seu anjo para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer. Eis que venho sem demora. Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro”.

Pr. Eneziel Peixoto de Andrade
eneziel@hotmail.com

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