Leia Tiago 2.1 a 13

A acepção de pessoas é um pecado contra o qual temos de lutar! Diz Tiago: “se, todavia, fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo arguidos pela lei como transgressores” (v.9). Mas, afinal, o que significa fazer acepção de pessoas? Significa beneficiar algumas pessoas sobre outras, ou dar atenção especial a pessoas por causa da sua riqueza, seu status social, sua posição de autoridade, sua popularidade, sua aparência ou influência.

Em várias passagens, a Bíblia declara que o próprio Senhor Deus, que está acima de todos, não faz acepção de pessoas. Por exemplo:

– Dt 10.17: “Pois o Senhor, vosso Deus, é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e temível, que não faz acepção de pessoas…”;

– Jó 34.19 diz que Deus “não faz acepção das pessoas de príncipes, nem estima ao rico mais do que ao pobre; porque todos são obra de suas mãos”;

– At 10.34: “Então, falou Pedro, dizendo: Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável”;

– Rm 2.11 adverte: “Porque para com Deus não há acepção de pessoas”.

Entretanto, lamentavelmente, o abominável pecado da acepção de pessoas, tantas vezes, se verifica no seio da comunidade cristã. Diante disso, devemos receber o texto de Tiago como uma oportuna advertência que exige que resistamos a esse pecado.

  1. O pecado da acepção de pessoas é incompatível com a fé cristã

Quanto a isso, o texto é explícito: “Meus irmãos, não tenhais a fé em nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas” (v.1).

Infelizmente, as pessoas são avaliadas pelo que têm, pelo que aparentam ter, pelo que aparentam ser. Vivemos no mundo da aparência, da hipocrisia, da superficialidade. Porém, no contexto da comunidade cristã, não pode ser assim; ninguém pode ser avaliado e deferido pela cor de sua pele, por sua aparência ou condição econômica e social.

Nos dias de Tiago, muitos cristãos estavam menosprezando o pobre e prestigiando o rico. Segundo Tiago, esse julgamento é fruto de um perverso pensamento, o qual afronta a Deus: “Ouvi, meus amados irmãos. Não escolheu Deus os que para o mundo são pobres, para serem ricos em fé e herdeiros do reino que ele prometeu aos que o amam”? (v.5).

É inconcebível haver na igreja de Cristo tratamento discriminatório entre as pessoas, com base em condição econômica, social, cultural e fatores étnicos. O profeta Malaquias questiona: “Não temos nós todos o mesmo Pai? Não nos criou o mesmo Deus? Por que seremos desleais uns para com os outros, profanando a aliança de nossos pais”? (Ml 2.10).

Para combater o pecado da acepção de pessoas, Paulo exorta os cristãos à unidade da fé (Ef 4.1-6).

  1. O pecado da acepção de pessoas gera injustiça

Dizem os vv. 2 a 4: “Se, portanto, entrar na vossa sinagoga algum homem com anéis de ouro nos dedos, em trajos de luxo, e entrar também algum pobre andrajoso, e tratardes com deferência o que tem os trajos de luxo e lhe disserdes: Tu, assenta-te aqui em lugar de honra; e disserdes ao pobre: Tu, fica ali em pé ou assenta-te aqui abaixo do estrado dos meus pés, não fizestes distinção entre vós mesmos e não vos tornastes juízes tomados de perversos pensamentos”?

Infelizmente, não estamos livres desse pecado. Consciente ou inconscientemente, em maior ou menor escala, de forma explícita ou velada, muitas vezes nutrimos preconceitos. Avaliamos exteriormente com base na aparência. Rotulamos pessoas. Com base em nossos clichês, aprovamos ou reprovamos, excluímos, damos vazão à intolerância, agimos com parcialidade, discriminamos, ignoramos… e há aqueles que chegam a justificar o ódio.

Quanta injustiça cometemos! “Porém o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, porque o rejeitei; porque o Senhor não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração” (I Sm 16.7).

Felizmente, os padrões deste mundo não têm nenhuma influência sobre a graciosa eleição de Deus (I Co 1.28 e 29).

A parcialidade no trato com as pessoas, especialmente o favorecimento do forte em detrimento do fraco, a preferência pelos de condição socioeconômica elevada em detrimento dos pobres, além de promover a injustiça e criar constrangimentos na comunidade, representa grande afronta ao Deus que não faz acepção de pessoas.

  1. O pecado da acepção de pessoas deve ser vencido pela prática do amor

Os vv. 8 e 9 dizem: “Se vós, contudo, observais a lei régia segundo a Escritura: Amarás o teu próximo como a ti mesmo, fazeis bem; se, todavia, fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo arguidos pela lei como transgressores”.

A acepção de pessoas constitui flagrante transgressão da lei suprema da Escritura que é o AMOR. Não adianta tentar cumprir os demais pontos da lei, se não estivermos dispostos a amar.

Escrevendo aos Romanos, Paulo afirma: “A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros; pois quem ama o próximo tem cumprido a lei. Pois isto: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não cobiçarás, e, se há qualquer outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor” (Rm 2.8-10).

Alguns crentes tentam justificar seus pensamentos perversos e suas posturas intolerantes, que levam ao juízo impiedoso contra o semelhante, alegando a defesa da verdade. Entretanto, em Efésios 4.16, Paulo ensina que a verdade deve ser seguida em amor.

Além de comprometidos com a verdade, devemos também ser misericordiosos, pois, segundo Tiago, “a misericórdia triunfa sobre o juízo” (v.12). Aqueles que se sentem à vontade para fazer acepção de pessoas,

nutrir preconceitos e promover a injustiça, devem tomar consciência de que estão sob a mira do Senhor (vv.12,13).

O pecado da acepção de pessoas deve ser vencido pela prática do amor, pois, o amor é a mais potente arma contra todas as formas de preconceito e discriminação! Vamos começar a olhar as pessoas dentro dos olhos! Somente assim conheceremos verdadeiramente a cada um.

Consideremos a essência das pessoas; a pureza que cada um carrega em si; e não mais julguemos pela aparência!

Imitemos o exemplo de Jesus, que jamais fez acepção de pessoas! Vivamos como irmãos unidos em Cristo, como família! Pois é assim que vivem aqueles que receberam do Pai um novo coração.

Rev. Eneziel Peixoto de Andrade
eneziel@hotmail.com

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