Nossa Igreja resolveu voltar-se mais, a partir deste ano, para a evangelização. Igreja (ekklesia) é a reunião dos “chamados para fora”. Igreja somos nós, pessoas. Há a necessidade de sairmos das quatro paredes. Mas a quem evangelizar? Aprendemos que existem dois chamados. Um, o geral, que devemos fazer a todos, indistintamente, pois não sabemos quem são os escolhidos de Deus. Jesus o fez, quando disse: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados…” (Mt 11.28). E o outro é o chamado especial, aos eleitos. Aquela pessoa, às vezes dentre uma multidão, que ouviu a Palavra de Deus, é tocada pelo Espírito Santo e o aceita, pois a fé vem pela pregação (Rm 10.17). É por isso que Jesus disse: “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer” (Jo 6.44).

Às vezes fazemos nossas próprias escolhas com relação a quem evangelizar. Mas a escolha é de Deus. Está escrito que para Ele não há acepção de pessoas (Rm 2.11). Esse é um dos motivos por que algumas igrejas interpretam que Jesus veio salvar a todos, indistintamente. Mas não é isso. Não fazer acepção é não tratar com favoritismo e injustiça. Deus não escolhe alguém pela sua boa condição financeira ou social nem por sua raça ou cor. Disse Jó que Deus “que não faz acepção das pessoas de príncipes, nem estima ao rico mais do que ao pobre; porque todos são obra de suas mãos” (Jó 34.19). Paulo diz que devemos usar “a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens…” porque Deus deseja que “todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1Tm 2.1-4). Todos os existentes? Não. Ele explica: “em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade…” Se fosse deixar a critério daqueles que estavam sendo perseguidos, maltratados, eles orariam somente por irmãos em Cristo, por pessoas por quem eles simpatizavam. Naquela época o imperador era Nero.Há alguns trechos bíblicos que não entendemos ou às vezes achamos desagradáveis de serem lidos. Um deles são as genealogias, aquelas relações que narram quem gerou quem. Mas se prestarmos atenção a elas, aprenderemos algumas coisas importantes, inclusive que devemos levar a Palavra de Deus a todos. Mateus 1, por exemplo, começa com Abraão e vai até Jesus. Veja quem Deus escolheu para fazer parte da genealogia de Cristo Jesus: Abraão ─ Deus o tirou de uma cidade pagã, do meio de parentes idólatras e lhe prometeu que faria dele uma grande nação. Vemos ali, na genealogia de Jesus, o nome da viúva Tamar. Ela, de rosto tapado, fazendo-se passar por prostituta de templo pagão, enganou o próprio sogro e ficou grávida dele, transgredindo a Lei de Deus. Encontramos Raabe, uma prostituta que ajudou o povo de Deus e acabou entrando para ele. Depois outra viúva, uma gentia chamada Rute, de uma terra onde se adorava o deus Baal; casou-se com um judeu e veio a ser a bisavó do rei Davi. Bate-Seba, com quem Davi adulterou, tornou-se a mãe do rei Salomão. Vemos, ainda, Manassés, um rei mau, que derramou muito sangue, mas, no final, se curvou perante Deus. E assim vai a lista, cada uma dessas personagens com seus defeitos e pecados, mas, ainda assim, escolhidas por Deus e salvas por Ele.

Nosso dever é levar as boas novas a quem quer que seja: uma prostituta, um mendigo, um macumbeiro, etc. Se um deles for um eleito de Deus, o Espírito Santo atuará nele, seja agora, seja daqui a vários anos, e ele virá a fazer parte do povo de nosso Pai celestial. Conversões só são possíveis através da Palavra de Deus.

Que o Altíssimo nos faça instrumento Seu e nos dê intrepidez para cumprirmos o “Ide” de Cristo a toda criatura.

Presb.º Roosevelt Silveira

 

 

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