Uma coisa difícil de ser eliminada até entre os evangélicos é a mentira. Parece que ela se tornou um vício quase que na totalidade dos seres humanos. Alguns acham que existem mentirinha e mentirona. Mas é tudo a mesma coisa. É costume ouvirmos isto: “Deus não me puniria por uma mentirinha à toa dessas”. Ou: “Uma mentirinha que não prejudica ninguém não tem importância”. Essa tentativa de se justificar, utilizando o nome de Deus, é como se dissessem que ele é falso. Isso é blasfêmia. E, o mais grave, Deus teria de ser parceiro do diabo. Toda a vez que alguém profere uma mentira é por covardia ou para levar vantagem ilícita em algum negócio.

Mente-se para uma “boa” barganha; medo de discussão com o cônjuge, namorado ou namorada; com o fim de ganhar alguns minutos de descanso, para não atender ao telefone; para ganhar mais dinheiro em um negócio; para agradar ou por medo de desagradar alguém (amigo, cliente, eleitor, patrão, etc.); para não atender alguém à porta; por medo de problema futuro (sofrimento, briga); para se conseguir votos eleitorais, tranquilidade, descanso, emprego, etc.

Certa vez uma senhora nos perguntou: “Se eu souber que alguém quer bater em você, e eu sei que você foi por uma rua, se ele me perguntar que direção você tomou e eu lhe apontar a rua errada, estarei fazendo uma boa obra, não estarei?” Não é assim. A mentira tem como pai, segundo afirmou Jesus, o próprio diabo. Nada que ele faz pode servir para o bem. O que houve nesse caso? Covardia. A pessoa poderia ser verdadeira: “Sei por onde ele foi, mas também sei que você o quer agredir. Por causa disso, não vou lhe dizer.” Mas e o medo de ser agredida também?

Em outra ocasião, alguém nos disse: “Quando o telefone toca em minha casa, e sei que mamãe não quer atender, digo: ‘A mamãe não está aqui’. Ela não está mesmo ao meu lado, perto do telefone, mas está na cozinha. Não estou mentindo, não é?” Infelizmente, está. Meia verdade acaba sendo uma mentira completa. Isso se chama sofisma ou reserva mental: dizer uma coisa de duplo sentido para tapear o próximo e, se descoberta a mentira, alegar que ele entendeu mal. Quem ensina isso aos filhos lhes está ensinando a ser mentirosos. Depois, quando eles lhes mentirem, serão castigados por estarem pondo em prática o que aprenderam.

Diz a Bíblia que “os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor” (Pv 12.22). “Por isso, deixai a mentira e falai a verdade cada um com o seu próximo” (Ef 4.25). “… todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, que é a segunda morte” (Ap 21.8).

Jesus é a verdade (Jo 14.6); o diabo é “mentiroso e pai da mentira” (Jo 8.44). “Ninguém pode servir a dois senhores. Com efeito, ou odiará um e amará o outro, ou se apegará ao primeiro e desprezará o segundo” (Mt 6.24).

Que nosso Deus, todo poderoso, nos dê forças e nos livre da tentação de mentir, pois quem mente está se afastando dele, está usando a artimanha de Satanás e está pecando, podendo ser corrigido pelo Altíssimo, cujas correções costumam ser rigorosas. Porém sua misericórdia dura para sempre. Se algum de nós se surpreender mentindo, peça-Lhe perdão e também à pessoa a quem mentiu e procure se corrigir.

Roosevelt Silveira

 

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