A vitalidade da Igreja é algo que pode se intensificar, como também pode diminuir até ao ponto de cessar. Por isso, a igreja deve buscar constantemente a sua revitalização espiritual.

A igreja de Éfeso, num primeiro momento de sua caminhada, apresentou as marcas de uma Igreja viva. Os primeiros capítulos da carta dirigida por Paulo à Igreja contêm palavras positivas e votos de progresso no caminho que já estava sendo trilhado. Éfeso era uma igreja operosa e perseverante, que cultivava uma saudável ortodoxia. Mais tarde, porém, a pujante vitalidade demonstrada pela igreja já não era mais a mesma: “Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras” (Ap 2.4,5).

A igreja de Éfeso foi convidada pelo Senhor a dar início ao processo de revitalização. E esse convite é extensivo, hoje, às nossas comunidades também. Na abordagem feita por Paulo, nos cap. 4, 5 e 6 da Carta aos Efésios, ele apresenta as marcas que autenticam a revitalização da igreja. São elas:

1.     Unidade produzida pelo Espírito (4.1-6)

Essa unidade é um fator que identifica a consistência da obra de revitalização. Suas evidências atestam isso, pois se manifestam através das seguintes atitudes:

a)   Paciência motivada pelo amor (4.2) – Na unidade produzida pelo Espírito, os crentes são habilitados a viver em paz, “suportando uns aos outros em amor”;

b)   Esforço em prol da unidade (4.3) – Quando a revitalização é real, os crentes não ficam à espera de um ambiente propício para poderem desfrutar a unidade. Pelo contrário, movidos pelo Espírito, eles se esforçam de maneira diligente para criar tal ambiente;

c)    Submissão a Deus (4.5,6) – Na comunidade revitalizada, a unidade tem este sólido fundamento: “um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos”.

2.     Exercício dos Dons Espirituais (4.7-16)

A revitalização desperta a cada membro do corpo para agir segundo o propósito para o qual foi estabelecido. Em igrejas revitalizadas, o exercício dos dons espirituais cria um ambiente contagiante e frutífero. Sobre os dons, é imprescindível compreender:

a)   São expressão da graça de Deus – Dons espirituais não se adquirem em congressos; nem em livrarias. Eles são dados pelo Senhor (4.7);

b)   São variados, mas têm a mesma finalidade – Igrejas revitalizadas não são monótonas, pois a vida pulsa com intensidade, através da riqueza dos dons, sempre exercitados com um único propósito: “a edificação do corpo de Cristo” (4.12,13);

c)    Devem ser exercitados em amor – O crescimento verificado em comunidades revitalizadas não prescinde do amor. Não é um crescimento do tipo: custe o que custar. É por isso que Paulo orienta: “seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo…” (4.15,16).

3.     Compromisso com a Santidade (4.17 a 5.21)

Comunidades envolvidas pelo processo de revitalização se despertam para buscar a santidade como condição sine qua non para a vitalidade. Esse compromisso passa pelas seguintes atitudes:

a)   Renovação espiritual (4.22-24) – É a experiência progressiva da novidade de vida produzida pelo Espírito, mas que demanda boa vontade, esforço e disciplina por parte do homem (Rm 6.15-23);

b)   Vida condizente com os mandamentos do Senhor – Paulo conclama os crentes: “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados” (5.1). É essa disposição que toma conta de uma comunidade em revitalização;

c)    Busca pela plenitude do Espírito – Nas comunidades abertas à revitalização, a plenitude é um alvo constante: “enchei-vos do Espírito” (v.18). No entender do apóstolo, a plenitude do Espírito não se manifesta de forma extravagante como insistem alguns, mas de forma simples, como se pode ver:

·         Vida prudente – “vede prudentemente como andais, não como néscios e sim como sábios” (5.15);

·         Discernimento espiritual – “não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor” (5.17);

·         Adoração espontânea – “falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo ao nosso Deus e Pai” (5.19,20);

·         Humildade e boa vontade – “sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo” (v.21).

4.     Relacionamentos saudáveis (5.52 a 6.20)

Como se pode ver na Igreja que nascia cheia de vida, no período apostólico, os relacionamentos saudáveis constituíam uma marca notável da vitalidade: “Da multidão dos que creram era um o coração e alma” (At 4.32-35).

Relacionamentos saudáveis são desenvolvidos entre aqueles sobre quem a graça revitalizadora de Cristo age. Por exemplo:

a)   Entre marido e mulher – “As mulheres sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor… Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela” (5.22-33);

b)   Entre pais e filhos – “Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo. (…) E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor” (6.1-4);

c)    Entre patrões e empregados – “Servos, obedecei a vosso senhor segundo a carne com temor e tremor, na sinceridade do vosso coração, como a Cristo (…) E vós, senhores, de igual modo procedei para com eles, deixando as ameaças, sabendo que o Senhor, tanto deles como vosso, está nos céus e que para com ele não há acepção de pessoas” (5.5-9).

Relacionamentos saudáveis, caracterizados por afeto, respeito e consideração, tendo por base o amor, são marcas de uma Igreja revitalizada.

5.      Poder espiritual (6.10-20)

Paulo conclui a série de exortações, com o seguinte voto de revitalização à igreja: “Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder”! (6.10). Para se alcançar esse poder espiritual, os seguintes procedimentos se fazem necessários:

a)   Uso diligente da Palavra de Deus – “Revesti-vos de toda a armadura de Deus…” (6.11-17). É empunhando a Palavra de Deus que a Igreja viva demonstra a sua força na luta contra o mal. A Palavra de Deus nutre a Igreja;

b)   Perseverança na oração – A oração é o oxigênio que mantém a vitalidade da Igreja. É por isso que Paulo chama a Igreja a caminhar “com toda oração e súplica, orando em todo o tempo no Espírito e para isto vigiando com toda a perseverança…” (6.18);

c)    Compromisso com a evangelização – O poder da Igreja viva se traduz na evangelização, como demonstra Paulo (6.19,20). Evangelizar é promover a vida que há em Cristo Jesus. Isso é demonstração de poder espiritual, marca de uma Igreja revitalizada.

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