Leia o Salmo 116

O suicídio é um problema crescente e cada vez mais preocupante! Anualmente, no mundo, mais de 800 mil pessoas cometem suicídio.

No Salmo 116.3, o salmista afirma: “Laços de morte me cercaram, e angústias do inferno se apoderaram de mim; caí em tribulação e tristeza”. Entre os principais fatores de risco ligados ao suicídio, podem ser alistados: depressão, outras doenças incapacitantes, alcoolismo e outras drogas, desajustes familiares, desespero em meio a crises e pouca integração social.

São muitos os fatores que colocam as pessoas no vale da sombra da morte. Contudo, o mais significativo, é que o Salmo 116 é o testemunho de alguém que reencontra o caminho da vida ao encontrar em Deus a força para viver.

Partindo da experiência do salmista, percebe-se que, para que os laços de morte sejam desfeitos, é imprescindível que laços espirituais de comunhão com Deus e sua Palavra sejam construídos. Como é que isso se dá? Vejamos:

1)  A declaração de amor a um Deus atencioso

Nos vv. 1 e 2, o salmista declara: “Amo o SENHOR, porque ele ouve a minha voz e as minhas súplicas. Porque inclinou para mim os seus ouvidos, invocá-lo-ei enquanto eu viver”.

A consciência do amor de Deus é questão decisiva para uma vida plena e feliz. Somente aqueles que têm consciência desse incomensurável amor podem se encontrar existencialmente e declarar o seu amor ao Criador, como ensinou Moisés: Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força” (Dt 6.5).

João afirma que “nós amamos porque ele nos amou primeiro” (I Jo 4.19). A redenção em Cristo, prova do grandioso amor de Deus, prepara o redimido para responder de forma positiva a esse amor.

O suicídio é uma negação do amor: nega o amor de Deus, o amor à família, o amor a si próprio. Porém, a experiência do amor de Deus proporciona conforto, alento e esperança. Não há dúvida de que a consciência e experiência do amor de Deus têm proporcionado a muitos as condições para resistirem à tentação de dar cabo da própria vida.

2)  A confiança em um Deus gracioso

Nos vv. 3 e 4, o salmista dá o seguinte depoimento: Laços de morte me cercaram, e angústias do inferno se apoderaram de mim; caí em tribulação e tristeza. Então, invoquei o nome do SENHOR: ó SENHOR, livra-me a alma”.

A confiança em Deus é um poderoso recurso para sustentar os que se sentem tomados por pensamentos de autodestruição. A certeza de que a graça divina é real, convida o indivíduo a derramar o coração perante o Senhor, vencendo a cada dia uma luta incapaz de ser avaliada por aqueles que estão de fora.

3)  O descanso nos braços de um Deus que cuida

Nos vv. 5 a 8, o salmista testemunha: “Compassivo e justo é o SENHOR; o nosso Deus é misericordioso. O SENHOR vela pelos simples; achava-me prostrado, e ele me salvou.​Volta, minha alma, ao teu sossego, pois o SENHOR tem sido generoso para contigo. Pois livraste da morte a minha alma, das lágrimas, os meus olhos, da queda, os meus pés”.

Diante das conturbações desta vida, tantas vezes agravadas por problemas de ordem interior e também ameaças externas, o descanso em Deus é uma realidade. Jesus convida a todos os que estão cansados da vida para que encontrem nele o verdadeiro descanso (Mt 11.28-30).

4)  O desenvolvimento de uma vida com propósitos

Nos vv. 9 a 12, o salmista revela sua convicção de que, apesar tudo o que enfrentara, a vida tem propósitos sublimes: Andarei na presença do SENHOR, na terra dos viventes. Eu cria, ainda que disse: estive sobremodo aflito. Eu disse na minha perturbação: todo homem é mentiroso. Que darei ao SENHOR por todos os seus benefícios para comigo? Nos versos subsequentes (vv. 16 a 19), ele toma a decisão de desenvolver esses propósitos.

Ninguém foi criado por Deus para ser uma nulidade. Deus tem propósitos muito especiais para cada um de nós; e a vida só tem sentido quando é desenvolvida com propósitos. Uma vida com propósitos é uma eficaz estratégia para se desfazer os laços de morte e redescobrir o sentido da vida. Esses propósitos são bem definidos no Salmo 116 e consistem no seguinte:

  1. a) A reafirmação da fé

Nos vv.s 10 e 11, o salmista afirma que, apesar da grande aflição, não perdera a sua fé. Por um momento, quase se tornou um cético, mas sua fé permanecia viva: “Eu continuei crendo, mesmo quando disse: ‘estou completamente esmagado.’ Não parei de crer, mesmo quando afirmei, sem pensar: ‘não se pode confiar em ninguém” (NTLH).

A fé é um recurso poderoso para nos manter de pé, mesmo diante das adversidades. Paulo dizia: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4.13). O exercício da fé nos impede de perder o foco; enquanto houver fé, haverá disposição para se encontrar o propósito da existência;

  1. b) A disposição para a gratidão

No v. 12, o salmista pergunta: “Que darei ao SENHOR por todos os seus benefícios para comigo”?

A disposição para agradecer é um exercício espiritual revitalizador. A gratidão tem o poder de libertar daquela sensação terrível de que está sempre faltando alguma coisa. Subestimar o poder da gratidão contribui para a perda do sentido de viver. Por outro lado, pessoas agradecidas desenvolvem a capacidade de discernir os propósitos divinos em tudo o que acontece (Fp 4.6,7; I Ts 5.18);

  1. c) A celebração da salvação

No v. 13, o salmista revela a seguinte decisão por ele tomada: “Tomarei o cálice da salvação e invocarei o nome do SENHOR”.

Fomos criados para viver em comunhão com Deus. A obra de Cristo consiste em estabelecer a nossa união com Deus pela experiência da salvação. Uma vida com propósitos é fruto da graça salvadora; e se confirma pela celebração da salvação, como declara o apóstolo Pedro (I Pe 1.3-9).

A experiência da salvação habilita o homem a suportar com paciência as provações e a compreender que a morte não deve ser um gesto de covardia, mas algo precioso aos olhos do Senhor – “Preciosa é aos olhos do SENHOR a morte dos seus santos” (v.15);

  1. d) A prática da devoção

O salmista inicia o Salmo 116 falando de sua vida de oração e, depois, ao final, descreve vários gestos, por meio dos quais expressava sua devoção a Deus: “cumprirei os meus votos ao Senhor”“oferecer-te-ei sacrifícios de ações de graças”“invocarei o nome do Senhor”.

Os exercícios devocionais fortalecem espiritualmente. Aqueles que se valem dos meios de graça (Palavra de Deus, oração, sacramentos, comunhão cristã) são nutridos espiritualmente. Os meios de graça são os recursos visíveis e comuns, pelos quais Cristo transmite à sua igreja os benefícios da sua mediação.

  1. e) A valorização da experiência comunitária

O salmista declara o seu prazer em desfrutar da convivência com o povo de Deus. No v. 14, por exemplo, afirma que cumpriria os seus votos ao Senhor “na presença de todo o seu povo”; no verso 18, reafirma essa disposição; no verso 19, conclui dizendo que fará isso “nos átrios da Casa do SENHOR, no meio de ti, ó Jerusalém”.

Uma atitude típica daqueles que se embrenham pelo caminho da morte é o isolamento. Por outro lado, segundo a Palavra de Deus (Salmo 133), a união entre os irmãos é uma experiência boa e agradável, que proporciona vida.

Laços de morte têm selado a história de inúmeras pessoas que, dominadas por angústias do inferno, caíram em tribulação e tristeza e não acharam o caminho da vida. Porém, ninguém está condenado a encerrar assim a sua história. Os laços de morte podem ser evitados, desfeitos e transformados em laços de vida, alegria e esperança! Eis a promessa messiânica, conforme a mensagem bíblica de Oseias 11.2, na tradução da Bíblia na Linguagem de Hoje“Com laços de amor e de carinho, eu os trouxe para perto de mim; eu os segurei nos braços como quem pega uma criança no colo”. Cristo é VIDA! Somente ele é o caminho, a verdade e a vida!

Rev. Eneziel Peixoto de Andrade
eneziel@hotmail.com

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