Na Carta aos Gálatas (6.2), o apóstolo Paulo apresenta esta exortação: “Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo”. A vida cristã é uma experiência pessoal, mas tem uma dimensão comunitária; estamos juntos na caminhada. Por isso, somos exortados pela Palavra de Deus a levar as cargas uns dos outros.

Com base nessa compreensão, a proposta ministerial para a nossa Igreja, neste ano, é preparar os membros para caminharem juntos, na alegria e na dor. A mutualidade é fator decisivo para a existência de uma comunidade saudável. A Palavra de Deus recomenda: Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram. Tende o mesmo sentimento uns para com os outros” (Rm 12.15,16).

Devemos, portanto, levar as cargas uns dos outros. Comentando o texto de Gálatas 6.2, Guillermo Hendriksen afirma: “Embora a frase ‘os fardos dos outros’, seja muito geral e possa ser aplicada a todos os tipos de aflições opressivas capazes de serem compartilhadas com o irmão, deve ser lembrado que o ponto de partida para essa exortação (ver acima 6.1) é o dever de ajudar o irmão para que ele possa superar sua fraqueza espiritual. Continua: e assim cumprireis a lei de Cristo. Essa lei de Cristo é o princípio do amor um pelo outro que o próprio Cristo estabeleceu (Jo 13.34, ver Tg 2.8)”.

Donald Guthrie, por sua vez, comenta assim o referido versículo: “Um cristão cai diante de uma tentação que o acolheu de surpresa, e imediatamente os demais cristãos devem procurar meios de restaurar o irmão caído. O fardo dele veio a ser o deles. O princípio enunciado é um dos aspectos mais profundos da comunhão cristã. Porque a comunidade cristã está estreitamente reunida em Cristo, o que afeta um membro deve afetar todos, princípio este ilustrado mais de uma vez noutros trechos de Paulo, sob a figura do corpo (cf. I Co 12.12ss)”.

Na vida comunitária, não podemos apenas levantar as mãos para celebrar as vitórias e alegrias dos irmãos que estão bem; devemos também estender as mãos aos que estão caídos ou desanimados, sufocados pelos pesados fardos da vida. Caminhar juntos, na alegria e na dor, é pôr em prática essas recomendações da Palavra de Deus sobre o cuidado mútuo.

Devemos, portanto, nos distinguir como uma comunidade fraternal e solidária, em que os membros cuidam uns dos outros, seja qual for a situação. Agindo assim, nossa prática religiosa fará sentido e estaremos cumprindo a lei de Cristo, a saber, o amor.

Rev. Eneziel Peixoto de Andrade
eneziel@hotmail.com

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