O que significa SUPERFICIAL? O dicionário responde: Pouco profundo, sem seriedade.

Isso retrata a sociedade em que vivemos. Atualmente é difícil de encontrar fundamentos e valores piedosos, éticos e morais refletidos na vivência, no comportamento da humanidade. A sociedade vai ditando as regras e os seres humanos, como zumbis, mortos vivos, vão repetindo comportamentos, ações e ensinando novamente as mesmas regras superficiais, hedonistas e antropocêntricas, agindo sem demonstração de um pensar, sem um refletir. Será que cada comportamento nosso promove a qualidade de vida piedosa a nós proposta pelo evangelho? Eles são fundamentados em princípios eternos, bíblicos e fortes? Ou são como andaimes frágeis e fracos? Serão apenas repetições da sociedade?

Jesus vivenciou algumas situações que demonstravam a mesma superficialidade de hoje. Certa vez ele respondeu a um grupo, formado pelos fariseus e escribas, que murmurava contra ele por se assentar e comer com injustos cobradores de impostos, com prostitutas, com pecadores marginalizados e excluídos, com os que não eram aceitos nem acolhidos pela religião da época. Esses religiosos eram portadores de uma superficialidade que os impedia de viver o verdadeiro propósito do que faziam e de refletir realmente quem eles diziam que serviam – o Deus todo poderoso, o Criador bendito. Eles estavam cegos em seu sistema religioso. Esqueceram-se de que tudo era em prol da restauração da vida de cada um que se encontrava escravo do sistema, do pecado e perdido em uma sociedade distorcida e corrupta. A mensagem de Deus é, e sempre foi, acolhedora e inclusiva. Eles cuidavam dos ritos, das cerimônias, das vestes, das tradições, do ambiente, da música, da aparência e, dentro desse lugar de “segurança”, foram perdendo valores eternos, como o se relacionar, o amar, o acolher, o incluir e o servir aos perdidos e marginais. Chegaram a ponto de pensar que Deus era exclusivo deles, como se Deus tivesse um “povo-dono”.

O que essa situação tem a ver com nossa vida, hoje? Será que podemos repetir os mesmos erros dos fariseus e dos escribas? Será que

podemos repetir as mesmas atitudes deles e tentar deter o Senhor em nosso “sistema de vida e religião”? Jesus os confrontou duramente com uma parábola simples que, a princípio, parecia estar completamente fora do contexto: a história de uma mulher que tinha 10 moedas em sua própria casa e, nesse ambiente, perdeu uma delas. Essas moedas não tinham lá muito valor comercial. Uma dracma era o salário de um trabalhador do campo por um dia, em uma sociedade injusta. Ela poderia se contentar com as nove restantes, mas tomou algumas atitudes para recuperar aquela, aquele valor que estava perdido dentro de sua própria casa e que, para ela, era muito precioso:

1. Acender a luz. Luz é Cristo Jesus que deve estar aceso em cada um de nós, luz que põe às claras o ser integral, nossos acertos, potencialidades e competências bem como nossos erros, debilidades e incompetências. Luz que nos mostra os pecados, as sujeiras que escondem os valores piedosos e eternos que devemos viver por sermos cristãos;

2. Varrer a casa e limpar toda essa sujeira. Nosso trabalho é completamente dependente da Graça do Senhor à disposição de cada um de nós. Receber a graça e botar a sujeira para fora;

3. Buscar, com diligência, perseverança, esforço e insistência, os valores eternos expressos nas Escrituras até reencontrar cada um deles e, então, vivenciá-los. E, por último,

4. Partilhar, com os que estão ao nosso redor, a alegria de reencontrar e viver novamente cada um desses valores que nunca deveriam ter sido perdidos em nossa vivência.

Que, de fato, o Senhor nos conduza a uma autoavaliação sincera e honesta. Que possamos reencontrar valores piedosos e eternos que promovam um fundamento rígido e inabalável em cada um de nós, gerando relacionamentos profundos e transformadores. Que nunca mais percamos sequer um desses valores que refletem Cristo em nossa vida.

Adaptado por Natanael Menezes Valim

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