Leia Números 14.1 a 28

Vivemos um tempo difícil, em decorrência da pandemia que se abateu sobre todo o mundo. O tempo atual cria um cenário muito propício para que nos entreguemos à murmuração. Porém, como servos e servas de Deus, devemos reconhecer que essa não é a atitude recomendável. Devemos sim, renovar nossa fidelidade a Deus, exercitar a solidariedade e agir de maneira proativa.

Em I Coríntios 10, Paulo relembra alguns pecados cometidos por Israel no deserto e as tristes consequências da infidelidade. No v. 10, ele faz a seguinte advertência: “Nem murmureis, como alguns deles murmuraram e foram destruídos pelo exterminador”. Esse versículo é uma referência ao episódio narrado no texto de Números 14, quando os filhos de Israel foram duramente castigados pelo Senhor por causa da murmuração.

“Murmurar”, conforme o dicionário, é “soltar queixumes, lastimar-se, queixar-se em voz baixa, falar mal, apontar faltas, formar mau juízo de alguém ou de alguma coisa”. Foi exatamente isto que aconteceu com o povo de Israel, após o relatório trazido pelos homens que foram enviados por Moisés para espiar a terra (Nm 13.25-33).

A atitude dos murmuradores, narrada nos vv. 39 a 45, mostra que, embora entristecidos, não reconheciam a autoridade de Moisés, o seu legítimo representante. Também não estavam levando Deus a sério. Na verdade, os murmuradores não gostam de se submeter, agem por conta própria.

Três importantes lições podemos destacar desse episódio:

1)  A ação dos murmuradores consiste em puxar para trás

Os desejos, em vez de se projetarem para a Terra da Promessa, estavam fixados no passado, isto é, no Egito. Tinham grande desejo das comidas dos egípcios (Ex 16.3; Nm 11.4-6).

Em vez de olhar para frente, olhavam para trás. O comodismo do passado sobrepunha-se aos riscos e possibilidades do futuro. Eles questionavam: “Não nos seria melhor voltar para o Egito”? (v. 3). A murmuração é tipicamente pessimista. Os murmuradores sempre a encontram motivos para reclamar e se posicionarem contra.

Em Jesus vemos a figura do servo sofredor, resignado e obediente. Mesmo tendo todos os motivos para reclamar e se esquivar de sua missão, não retrocedeu: “a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2.8).

2)  A murmuração tem um efeito contagioso na comunidade

O texto diz que “todos os filhos de Israel murmuraram contra Moisés e contra Arão” (v.2). A murmuração é um mal que rapidamente envolve a todos. De uma hora para outra, a liderança bem sucedida de Moisés e Arão se viu ameaçada: “E diziam uns aos outros: Levantemos um capitão e voltemos para o Egito” (v.4).

A conduta pouco ética dos murmuradores faz com que, em pouco tempo, muitos sejam contagiados. A ferramenta deles é a língua, a palavra. É por isso que, em Hebreus 12.13 e 14, a Palavra de Deus recomenda: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados”.

3) O servo de Deus deve resistir à tentação da murmuração

A murmuração é uma tentação sempre presente diante de nós, podendo tornar-se um hábito. Isso, porque o murmurador sempre parece ter motivos bastante razoáveis. Os murmurados são sempre muito convincentes.

Não se pode confundir o questionamento bem intencionado e a crítica construtiva, com o pecado a murmuração. A murmuração inclui más intenções, é insensível e traiçoeira, é negativa e destrutiva, é desagregadora.

Somos desafiados a rever a maneira como tratamos nossos líderes, pois o alvo dos murmuradores é sempre a liderança. Confira a exortação contida nestas passagens bíblicas: Fp 2.25, 29, 30; I Ts 5.12 e 13; Hb 13.17.

A murmuração é incompatível com uma vida cristã marcada por fidelidade, confiança e cooperação. Esse pecado afasta a bênção de Deus e atrai o seu juízo. Por outro lado, quando se dá lugar à confiança em Deus, à união e cooperação entre os irmãos, “ali derrama o Senhor a sua bênção e a vida para sempre” (Sl 133).

Que o Espírito nos ensine a amar como Jesus, servindo uns aos outros e caminhando juntos na realização da obra de Deus! Que a murmuração ceda lugar à empatia, à lealdade e à cooperação. Assim teremos uma igreja mais saudável, mais fortalecida e mais bem preparada para o cumprimento de sua missão!

Rev. Eneziel Peixoto de Andrade
eneziel@hotmail.com

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