Paulo, ao escrever sua primeira carta à igreja de Corinto, fez a seguinte afirmação: “Porque de Deus somos cooperadores; lavoura de Deus, edifício de Deus sois vós” (1Co 3.9).

Por certo ele tinha em mente que há uma inclinação natural em nosso coração de receber crédito por tudo o que fazemos. Já nascemos cobiçando a aprovação e o aplauso dos homens. Observe, por exemplo, como, desde cedo, as crianças buscam chamar a atenção dos adultos. Encontramos, no meio do povo de Deus, “alguns” que, de uma forma ou de outra, sua grande motivação é a glória dos homens, o que muitas vezes as impede de buscar a Deus. “Como vocês podem crer, se aceitam glória uns dos outros, mas não procuram a glória que vem do Deus único?” (Jo 5.44), exclamou Jesus a um grupo de fariseus. Esse egocentrismo sutil também se move, em segredo, no coração daqueles que se dispõem a servir a Deus. Por ser danosa e destrutiva, tal enfermidade da alma pode arruinar a eficácia de nossa atuação no Reino.

Quando temos um encontro real com Jesus, ou seja, cada pessoa, ao ser salva, deve deixar de viver para si mesma e passar a viver para Aquele que, por ela, morreu e ressuscitou (2Co 5.15). O chamado de todo cristão é para testemunhar a respeito do Salvador. Por isso recebemos de Deus o poder (At 1.8). Tal testemunho da glória do Senhor, após tudo o que ele fez por aqueles que dele estão testemunhando, produz, nos outros, um grande sentimento de necessidade, levando-os a buscar a graça salvadora de Deus.

Somos informados, pelo apóstolo Paulo, de que cada crente no Senhor recebe, no mínimo, um dos dons do Espírito Santo (1Co 12.6-8, 11). O objetivo disso é a edificação do Corpo de Cristo (Rm 14.19; 1Co 14.3,12,26). Na igreja, a obra é um trabalho de equipe: “Porque de Deus somos cooperadores…” (1Co 3.9). Ninguém deve dizer: “Eu fiz!”, mas: “Nós fizemos!”

Os primeiros cristãos eram inclinados, assim como os de hoje, a se vincular a algum servo específico de Deus. Paulo relata que a igreja de Corinto, agindo como agiam as pessoas do mundo, estava dividida em blocos. Uns diziam: “Eu sou de Paulo”, enquanto outros afirmavam: “Eu sou de Apolo” (1Co 3.1-4). Eles precisavam ser lembrados de um princípio fundamental: somos servos de uma mesma equipe, trabalhando para um único Senhor. Para que haja boa colheita é necessário haver alguém que are e cultive a terra, outro que a semeie, um que regue e cuide das plantas e também aquele que fará a colheita. Mas nunca é o último que deve levar a glória, pois ele não fez tudo sozinho. Além do que, para que haja boa colheita, sol e chuva sob medida, da parte de Deus, são fatores indispensáveis (1Co 3.6,7).

Amados, todos somos responsáveis por aquilo que Deus nos deu para fazer, seja de forma pública ou privada, notável ou imperceptível. À medida que cada um fizer a sua parte, exercitando seus dons e talentos, Deus dará o crescimento.

Saiba que o segredo do crescimento genuíno na obra do Senhor é simples: um planta a Palavra, outro a rega com oração e lágrimas, mas Deus é quem a faz crescer.

Seu pastor

Romildo Lima de Freitas

 

Share →

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *